IX - PRÉ-MODERNISMO
Período de abrangência: 1902 a 1922
Período eclético*:
· grupo passadista (parnasianos e simbolistas retardatários)
· grupo renovador (sob variadas linguagens, com predomínio da prosa neo-realista, um conjunto de escritores – sem um projeto comum – tenta olhar para o país de uma forma mais ou menos crítica.
* eclético - mistura de várias tendências.
1. Euclides da Cunha
Os sertões
· Relato sobre a guerra de Canudos travada entre sertanejos fanáticos e soldados do exército;
· A base fatual do relato são as reportagens que E.C. enviou para o jornal durante o confronto.
· A obra se divide – de acordo com as teses deterministas que a delimitam (Taine: meio, raça e momento) em A terra – O homem – A luta.
· As teses cientificistas de E. C. estão mais presentes nas duas primeiras partes da obra.
· Em O homem, o sertanejo é apresentado, simultaneamente, como uma "sub-raça", "raça degenerescida" e como um "forte", um "titã de cobre".
· A luta – parte mais importante – é uma mescla de texto científico, resgate histórico, reportagem jornalística, narrativa romanesca, análise da guerra, denúncia da chacina dos sertanejos e uma profunda interpretação do Brasil.
· A percepção da guerra como tradução da existência de dois Brasis – um civilizado e moderno e outro arcaico e primitivo – dois Brasis sem unidade, sem um núcleo comum, constitui a grande colaboração de E. C. para a consciência dos brasileiros da época a respeito do seu próprio país.
Não esqueça: A linguagem – extraordinariamente elaborada, ornamental, difícil, poética, barroca em suas antíteses, em suas metáforas e em seus paradoxos – é o que confere caráter literário ao texto.
2. Lima Barreto
· Relatos neo-realistas, de estilo simples, mais ou menos desleixados na linguagem.
· Valorização da vida suburbana e das camadas pobres do Rio de Janeiro
· Caricatura dirigida aos poderosos da época (políticos e letrados, em especial)
· Ironia corrosiva ao nacionalismo ufanista
· Denúncia dos preconceitos sociais e de cor (o autor era mulato)
Triste fim de Policarpo Quaresma (Relato centrado em um burocrata visionário, dominado por formulações de nacionalismo ufanista e que, por isso, crê piamente na grandezas convencionais da nação. A narrativa é a da perda progressiva de seus ideais, perseguidos e destroçados pela realidade, como, por exemplo, a sua fracassada experiência agrícola e a sua consciência da brutalidade das elites, após o episódio da Revolta da Armada (1893). Por protestar contra a violência do próprio governo que ajudara a defender, Policarpo Quaresma será preso e fuzilado.)
Recordações do escrivão Isaías Caminha (O jovem mulato Isaías Caminha sai do interior em busca de uma chance no Rio de Janeiro, mas o preconceito de cor impedem-no de alçar-se, restando-lhe apenas um trabalho subalterno num diário da antiga capital federal. No final do romance, furando uma greve dos companheiros, Isaías Caminha acaba virando editor do jornal e depois, pelos bons serviços prestados ao patrão, recebe um cartório de presente e torna-se escrivão ou tabelião, como diríamos hoje.)
3. Augusto dos Anjos
Eu
· Poesia com traços parnasianos, simbolistas e pré-modernistas.
· Os aspectos pré-modernistas estão presentes em alguns versos de extremo coloquialismo e na incorporação da temática da "sujeira da vida" e do grotesco, muito comuns na poesia moderna.
· Utilização freqüente de termos científicos da medicina e da biologia, de acordo com as tendências naturalistas/evolucionistas vindas do século XIX.
· Apresenta umaa obsessão pela morte, nas formas mais degradadas que ela pode apresentar: podridão da carne, cadáveres fétidos, corpos decompostos, vermes famintos e fedor de cemitérios. –
· Dominada pelo niilismo, a poesia de Augusto dos Anjos questiona a falta de sentido da existência e verte um nojo amargo e desesperado pelo fim inglório a que a natureza nos condena.
· A angústia diante da morte transforma-se numa espécie de metafísica do horror: o homem não passa de matéria que acaba, que entra em putrefação e que depois desaparece.
· Os aspectos pré-modernistas estão presentes em alguns versos de extremo coloquialismo e na incorporação da temática da "sujeira da vida" e do grotesco, muito comuns na poesia moderna.
· Utilização freqüente de termos científicos da medicina e da biologia, de acordo com as tendências naturalistas/evolucionistas vindas do século XIX.
· Apresenta umaa obsessão pela morte, nas formas mais degradadas que ela pode apresentar: podridão da carne, cadáveres fétidos, corpos decompostos, vermes famintos e fedor de cemitérios. –
· Dominada pelo niilismo, a poesia de Augusto dos Anjos questiona a falta de sentido da existência e verte um nojo amargo e desesperado pelo fim inglório a que a natureza nos condena.
· A angústia diante da morte transforma-se numa espécie de metafísica do horror: o homem não passa de matéria que acaba, que entra em putrefação e que depois desaparece.
4. Monteiro Lobato
Literatura geral (adulta): Urupês, Cidades mortas,
Negrinha.
· contos com ênfase em soluções patéticas, macabras ou anedóticas
· estrutura do conto e de linguagem presa ao modelo realista tradicional
· registro da zona cafeicultura decadente do interior paulista (Cidades mortas)
· criação da figura do caboclo brasileiro (o caipira) – Jeca Tatu
· estrutura do conto e de linguagem presa ao modelo realista tradicional
· registro da zona cafeicultura decadente do interior paulista (Cidades mortas)
· criação da figura do caboclo brasileiro (o caipira) – Jeca Tatu
Literatura infanto-juvenil: O sítio do pica-pau amarelo
· mescla de fantasia, realidade e informação
· presença de um cenário típico do interior brasileiro (o sítio)
· presença de um cenário típico do interior brasileiro (o sítio)
5. Simões Lopes Neto
Lendas do Sul – Casos do Romualdo – Contos gauchescos
· Forte presença da cultura regional sul-rio-grandense
· Utilização de lendas como a do Negrinho do pastoreio e da Salamanca do Jarau (Lendas do Sul)
· Na obra-prima (Contos gauchescos) há uma mescla de:
· Utilização de lendas como a do Negrinho do pastoreio e da Salamanca do Jarau (Lendas do Sul)
· Na obra-prima (Contos gauchescos) há uma mescla de:
a) costumes da
campanha rio-grandense
b) registro da vida
cotidiana
c) fixação da
linguagem específica da região (com grande número
de espanholismos e
alguns neologismos)
· O narrador de Contos gauchescos é uma vaqueano de quase 90 anos (Blau Nunes) que evoca histórias que viveu, presenciou ou escutou.
· O fato do narrador ser oriundo das camadas populares ocasiona uma intensa oralidade em sua forma de narrar as histórias.
· No conjunto, os Contos gauchescos apresentam simultaneamente uma louvação do gaúcho (coragem, audácia, honestidade e cavalheirismo) e uma crítica implacável à violência que campeia no pampa.
· O narrador de Contos gauchescos é uma vaqueano de quase 90 anos (Blau Nunes) que evoca histórias que viveu, presenciou ou escutou.
· O fato do narrador ser oriundo das camadas populares ocasiona uma intensa oralidade em sua forma de narrar as histórias.
· No conjunto, os Contos gauchescos apresentam simultaneamente uma louvação do gaúcho (coragem, audácia, honestidade e cavalheirismo) e uma crítica implacável à violência que campeia no pampa.
Não esqueça: Apesar do tom
regionalista dos relatos de Simões Lopes, as paixões humanas que animam os
mesmos ultrapassam a condição localista e se situam numa dimensão universal.
Assim o drama específico do pampa rio-grandense adquire interesse para leitores
de todos os quadrantes.
6. GRAÇA ARANHA
Canaã: Romance de tese
(ou de idéias ou ainda romance-ensaio), centrado no debate ideológico entre
dois imigrantes alemães, Milkau e Lentz, recém chegados ao Espírito Santo. Há
uma discussão sobre o futuro da sociedade brasileira, discussão esta centrada
nas idéias de clima e de raça. A linguagem da obra tem certos acentos
impressionistas.
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